domingo, 3 de junho de 2018

A natureza da Verdade,a impossibilidade do materialismo filosófico e a existência necessária de Deus


Historicamente, a tradição materialista remota aos filósofos pré-socráticos e os estóicos, mas o termo materialismo será empregado mais tardiamente pelo filósofo e matemático Gottfried Leibniz em 1702. Em termos filosóficos, o materialismo irá sustentar que a realidade se limita àquilo que é material; aquilo que é palpável; descartada, portanto, qualquer garantia de uma realidade metafísica , isto é, daquilo que transcende a realidade material. Em outras palavras, é a predominância e precedência da matéria sobre qualquer outra coisa. A matéria é posta como primeiro e último princípio na cosmovisão de mundo dos pensadores materialistas. Deste modo, para o materialista, as proposições denominadas verdadeiras, as ideias, pensamentos, a racionalidade e as leis da lógica com seus princípios necessários são admitidos, mas são meros produtos resultantes de processos físicos da mente humana sem ter necessariamente algum tipo de fundamentação em uma mente superior que transcende essa mente humana, a qual chamamos de mente divina.

Se, de alguma forma, a verdade é admitida pelos materialistas, é preciso agora analisar os motivos pelos quais considero a concepção materialista acerca do conhecimento e da verdade uma concepção equivocada, portanto, irracional. E a resposta encontra-se na própria natureza da verdade. Compreendendo a sua natureza, chegaremos aos motivos que nos pode fazer crer que a concepção materialista de verdade contém em si mesma dilemas e contradições.

Em primeiro lugar, analisemos a ideia materialista de que "a realidade corresponde apenas àquilo que é material e que, sendo assim, não haveria garantias de uma realidade metafísica". O materialismo parece andar de mãos dadas com a teoria epistemológica empirista que sustenta a ideia de que o conhecimento é garantido pela observação através dos sentidos físicos do homem. As garantias empiristas acerca da verdade, evidências etc. são todas colocadas nos sentidos físicos do homem. Para o materialista, como eu sei que existe um mundo físico? A resposta seria "porque estamos vendo um mundo físico  em nossa frente". Essa seria a mesma resposta que um empirista daria. Mas, antes de tudo, como eu posso garantir a existência de uma realidade física pelo método empírico? Se os sentidos são falhos e por vezes nos enganam, como devo ter certeza de que o que estou vendo corresponde à realidade? Além das fraquezas dos sentidos, o materialista que adota o empirismo como seu método epistemológico deve lidar com a própria contradição interna de seu empirismo. Se  "todo conhecimento e evidência são garantidos pela observação empírica", qual evidência temos de que "todo conhecimento e evidência são garantidos pela observação empírica"? E qual seria a evidência da evidência de que "todo conhecimento e evidência são garantidos pela observação empírica? O materialista empirista, antes de tudo, precisa justificar o empirismo para ter certeza de que suas reivindicações correspondem com a realidade. Do contrário,  o que sobraria para eles além de uma regressão infinita de tentativas de justificações? Quando afirmo que todo o conhecimento é obtido pelas sensações físicas, como, antes de tudo, sei que estou tendo uma sensação? É porque estou sentido isto? Mas como posso ter certeza e confiar nos meus sentidos se ainda não foi justificado que eles são boas garantias para a certeza do conhecimento?

Observação: Como cristão, não nego a realidade de um mundo físico e material. Mas a certeza que tenho acerca deste fato pode ser derivada exclusivamente por causa do conhecimento de Deus através de sua revelação. O fundamento do conhecimento é Deus, não os sentidos. Os sentidos apenas fornecem a ocasião para o conhecimento, mas não são a origem dele.

Em segundo lugar, o conhecimento é inescapável, pois ele é afirmado até mesmo quando é negado. Como já dito em outros lugares, o ceticismo é auto-contraditório, pois quem revindica que o conhecimento não pode ser alcançado, está reivindicando ter conhecimento disto. Ora, se existe o conhecimento, é evidente que existe o objeto do conhecimento, isto é, a verdade. A verdade existe, mas como já visto, ela não pode ser derivada do materialismo. Tudo o que é material, é por definição não-eterno, no entanto, umas das definições da natureza da verdade é justamente a sua eternidade. Mesmo que não houvesse um universo material a verdade não estaria comprometida, pois seria verdadeira a inexistência do universo material. Se o universo material sempre irá existir, isto também é  verdadeiro. Se a verdade não existisse, seria verdadeiro que a verdade não existe. De forma que a eternidade da verdade é estabelecida antes e apesar de qualquer realidade material. Ora, a verdade é uma proposição resultante de reflexões, e proposições, por definição, são mentais. A verdade, portanto, é mental. No entanto, se está estabelecido o fato de que a verdade é eterna, mas, ao mesmo tempo a mente humana corresponde a uma mente material que, por definição, é não-eterna, somos então levados a uma única conclusão: que a verdade nunca pode ser derivada da mente humana. A natureza eterna da verdade requer que uma outra mente, que não seja temporal ou material, seja o fundamento da verdade. Se a verdade é mental e eterna, ela só pode derivar de uma mente eterna.

Mas não paramos aqui, a natureza da verdade não se limita à sua eternidade. Outra característica da verdade é sua imutabilidade. A verdade não muda. Opiniões  mudam, a verdade não. Mas se, de acordo com os relativistas, a verdade muda, como esses relativistas podem garantir a sua negação acerca da imutabilidade da verdade? Se a verdade muda, a afirmação de que "é verdade que a verdade muda" também mudaria. De forma que as afirmações relativistas acerca da relatividade da verdade também não estariam garantidas. E se não estão garantidas, por qual motivo os relativistas enchem os pulmões com ares de certeza acerca da relatividade da verdade? 

Não é preciso ir muito distante para sabermos que a natureza da verdade é sua imutabilidade. As opiniões diferentes acerca de um fato não mudam a realidade de que o fato está posto. Muitas são as opiniões, mas muitas opiniões estão erradas, e outras certas. É impossível, à luz da razão, sustentar ao mesmo tempo e no mesmo sentido opiniões que se contradizem. Se a lei da não-contradição é verdadeira, e creio que seja, torna-se impossível afirmar que todas as opiniões se equivalem. Se a lei da não-contradição é uma verdade, então, por definição, a negação dessa lei seria uma falsa concepção. Se a verdade muda, a lógica, que é verdade, mudaria. Se a lógica muda, o discurso perderia o sentido e afirmações e negações se equivaleriam, restando aos homens a esquizofrenia discursiva.  Desta maneira, se a verdade é mental, eterna e imutável, ela não pode derivar e muito menos ser confundida com a mente material, pois a mente material, não é imutável, muito menos eterna.

Alguns materialistas descartam a hipótese e a existência necessária de Deus, pois como já dito,  a crença do materialismo é a negação de qualquer certeza metafísica. No entanto, se a verdade existe e , por lógica, ela é inescapável, ela não pode derivar e muito menos se confundir com a mente humana pelas razões acima descritas. Resta-nos apenas atribuirmos por necessidade lógica o fundamento da verdade à uma mente imaterial, eterna, imutável e inescapável. O Deus da bíblia contém características que podem compor a natureza da verdade: Ele é imaterial, eterno, imutável e inescapável. Não foi atoa o que Cristo disse em João 14:6. Ele é de fato o caminho, A VERDADE e a vida. A existência da verdade torna necessária a existência de uma mente divina e superior.

Soli Deo Gloria

Álvaro Rodrigues










terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

A necessidade da lógica implica a existência de uma mente necessária e atemporal




A verdade é mental, mas ela não é temporal. Não é temporal porque ela não depende do homem para ser verdade. A verdade independe do homem. Se o homem não existisse, seria verdadeira a sua inexistência. Se nada existisse, isto também seria verdadeiro. Ora, se a verdade é mental mas não é temporal, ela advém de uma mente que não é temporal, mas atemporal. Por exemplo, a lógica(racionalidade) é um processo mental verdadeiro por necessidade. E é verdadeiro por necessidade porque não existe discurso sem lógica. A lógica é afirmada até em sua negação, porque como já dito acima, essa é a natureza da verdade, e a lógica é verdade. Se a lógica é um processo mental verdadeiro por necessidade, ela precisa advir de uma mente verdadeira e necessária. A mente temporal não é necessária, pois se fosse , não seria temporal. Tudo o que é temporal é finito, portanto, não-necessário. Sendo assim, a lógica advém de uma mente atemporal e necessária, a qual o apóstolo João denomina: Cristo, o Logos Eterno.

Solus Christus

Álvaro Rodrigues

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Se Deus é a causa de tudo, quem causou Deus?



"Se Deus é a causa de tudo, quem causou Deus?". Para muitos ateus, essa pergunta representa a  destruição completa do sistema cristão ou religioso no geral. O meu entendimento é que essa pergunta não representa destruição alguma, muito pelo contrário, ela é uma pergunta estúpida e não faz o menor sentido. Em primeiro lugar, não faz sentido afirmar que a causa primeira é causada por alguma coisa. Se a causa primeira é causada por alguma coisa, ela já não mais seria a causa primeira, mas essa coisa que causa a causa primeira torna-se-ia a causa primeira. A causa primeira, por definição, tem de ser incausada, do contrário, não seria causa primeira.

Vários ateus apelam ao argumento de que o universo "sempre existiu, portanto, é incausado" para negar a necessidade de um Deus criador. Ora, se o universo sempre existiu qual a dificuldade em acreditar em um Ser que sempre existiu? Mas, por outro lado, se o universo nem sempre existiu, quem, ou o quê o causou? A primeira matéria, que tornou possível a vida, foi causada ou sempre existiu? Se ela sempre existiu, ela, portanto, é o primeiro princípio(sem causa) do ateu. Logo, a defesa de um princípio não causado não é unanimidade dos cristãos ou religiosos, mas também de muitos ateus ou de qualquer pessoa que tenha, no mínimo, dois neurônios no cérebro. Mas, por outro lado, se algo causou ou originou a primeira matéria, essa matéria já não mais é primeira como causa, mas é causa derivada de uma causa a priori. Mas, e essa causa a priori, quem a causou? E o que causou a causa da causa a priori e, assim, ad infinitum? 

O ateu não tem escapatória, ele tem duas opções: 1.Ou algo é incausado, portanto, é causa primeira. 2. Ou nada é causa primeira, portanto, não há fundamento último para a origem das coisas. Se a primeira opção é abraçada pelo ateu, ele se igualará ao religioso que também defende a existência de um princípio incausado, de forma que, se a pergunta inicial do texto destrói a religião, a visão ateísta também estará destruída. Mas, se o ateu abraça a segunda opção, ele estará obrigado a abraçar uma regressão infinita que destruiria também o seu próprio sistema, pois se a regressão é verdadeira, o universo nem poderia começar. No entanto, o universo começou, logo, ou ele sempre existiu, portanto é incausado, ou o universo "passou a existir", portanto, deriva de uma causa a priori. 

Para o cristão, Deus é a primeira causa, portanto, nada o causou. Deus, sendo atemporal, sempiterno e Todo-Poderoso, é o primeiro princípio do cristão. Todo sistema ou cosmovisão requer um primeiro fundamento; portanto, irracionalidade é negar a existência de causa primeira. O cristão não aceita a regressão infinita de causas, mas também não aceita o universo como causa primeira, pois a matéria finita não pode ser eterna. O que é finito, é, por definição, não-eterno. Além do mais, a regressão infinita de causas tornaria o conhecimento impossível. Mas, à luz da razão, o conhecimento existe mesmo quando o negamos.Quem reivindica a impossibilidade do conhecimento, está reivindicando ter conhecimento da impossibilidade do conhecimento. Sendo assim, o cristão aceita a racionalidade de que a causa de todas as coisas ou da realidade, por necessidade lógica, deve ser auto-justificada, sendo, portanto, maior que a realidade. Deus é maior que a realidade criada, portanto, a causa da realidade criada é Deus.

Soli Deo Gloria

Álvaro Rodrigues

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

O falso Jesus do Gregório Duvivier



O humorista Gregório Duvivier, soltou mais uma de suas pérolas. Ele afirmou recentemente que Jesus era um comunista e defendia a prostituição e a bandidagem. Que a esquerda é analfabeta teologicamente falando, não é novidade pra ninguém, mas o Duviviver passou de todos os limites da ignorância teológica.

Primeiramente, que ele mostre biblicamente apenas um texto onde Cristo ensina que a desigualdade seria combatida por meio de uma suposta revolução armada. Que ele mostre qualquer referência de que Cristo sustentava a ideia socialista de que o estado deveria tomar forçadamente os meios de produção para, supostamente, redistribui-los de maneira igual. Atos dos apóstolos não ensina essa ilusão autoritária. No Novo Testamento, o que se vê são cristãos que, como seres INDIVIDUAIS responsáveis, movidos pela graça evangélica, repartiam de maneira voluntária os seus bens(At 2:45). Os cristãos não eram ameaçados pelo estado para agirem assim. O princípio da Caridade é a voluntariedade, não a imposição(2 Coríntios 8). A obrigação de socorrer o pobre é, antes de tudo, do indivíduo. O cristão individual que tendo condições de socorrer o pobre e mesmo assim não o faz é culpado diante de Deus. A culpa é do individuo, porque a responsabilidade é do indivíduo(Rm 14:12).

Que o Duvivier também mostre apenas um texto onde Cristo supostamente defende prostituição pelo fato de ter andado com prostitutos ou pecadores. Ora, o fato de Jesus ter andado com pecadores não significava ter se conformado com o pecado. Jesus andava com pecadores para alcançá-los e conscientizá-los de seus pecados. Cristo exigia uma mudança completa da parte dos pecadores. Em relação à mulher adúltera ele disse : VÁ E NÃO PEQUES MAIS(Jo 8:11). Cristo não aboliu a lei moral; Ele mesmo diz que veio com o propósito de cumpri-la. 

Sendo assim, se a lei moral não foi abolida, logo, por necessidade lógica, Cristo defendia também a punição prescrita na lei de Deus para os criminosos e bandidos. O amor de Cristo pelos criminosos e bandidos não implica na negação dos meios punitivos temporais(Mt 5:26)

Ademais, esse mesmo Duvivier que cita Jesus como um exemplo de líder comunista, é o mesmo que nega a inerrância e zomba das Escrituras. Como ele sabe que Jesus era um comunista? De onde ele tirou essas informações? Como ele sabe que Jesus defendia a prostituição e a bandidagem? De onde ele tirou essas informações? As informações acerca do Cristo são extraídas das Escrituras, mas se ele não acredita na inerrância das Escrituras, como ele pode garantir e sustentar suas conclusões se essa mesma Escritura, que possibilita essas informações, é falível? E mais, esse líder "comunista" se colocava como Divino, Eterno, a Verdade, O caminho, etc. Essas informações também são aceitas pelo Duviviver? Ou ele só aceita as partes da revelação que lhe convém? 

Solus Christus

Álvaro Rodrigues

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

O "deus" esquizofrênico do cantor Kléber Lucas


Não é de hoje que ideologias relativistas vem obtendo grande influência nos círculos cristãos. Dessa vez, o cantor Kléber Lucas em seu discurso na TV globo no programa "Encontro com Fátima Bernardes" deu todos os indícios dessa nefasta influência relativista. Depois de ter financiado a reconstrução de um terreiro destruído por prováveis fanáticos religiosos, o cantor participou de uma discussão no tal programa onde o foco era o debate sobre o combate ao ódio e preconceito entre religiões. No programa, o famoso cantor sustentou que " as religiões abrem um canal com Deus para que a energia floresça". O cantor parecia concordar também com as afirmações da própria apresentadora Fátima Bernardes, que em ocasiões específicas, afirmou que " todas as religiões são parecidas", e que "todas as religiões foram criadas por Deus". Como já dito, esses fatos não são novidades no meio cristão, portanto, Kléber Lucas não é o percursor do relativismo em círculos cristãos. Porém, algumas análises podem ser feitas sobre o tal ocorrido visto ser possível notar a confusão mental dos relativistas cristãos e religiosos em remediar a intolerância oferecendo o relativismo como a solução. Meu objetivo é mostrar que o relativismo religioso nunca é solução para coisa alguma. E afirmo isto levando em conta o fato desta concepção ser irracional. E que, sendo irracional, deve ser rejeitada por qualquer indivíduo que se diz racional. 

Em primeiro lugar, o que o famoso cantor, bem como todos os relativistas religiosos cristãos tem a nos dizer sobre a passagem bíblica onde o próprio Cristo se coloca como a verdade exclusiva?(Jo 14:6) Como o famoso cantor e os demais relativistas religiosos cristãos nos responderiam sobre a passagem bíblica onde  Deus se coloca como o único salvador e que "fora Dele não há salvação"?(Is 43:11) Os relativistas cristãos tem duas opções: aceitar os textos bíblicos que falam que a salvação ou a verdade são ensinos exclusivos do cristianismo e que, portanto, o cristianismo é a única religião verdadeira, ou rejeitar tais textos relativizando-os. Os relativistas cristãos relativizam tais textos, do contrário, não seriam relativistas. Para muitos deles, a bíblia é um livro imperfeito, contém erros e que muito do que encontramos na Escritura não é totalmente confiável. Mas a grande questão é que são esses mesmos relativistas cristãos que costumeiramente argumentam que Cristo pregou o "amor e o respeito ao próximo". Ora, se a bíblia está adulterada, como eles sabem que Cristo os orientou a amar o próximo? Como eles podem afirmar isso? E mais, como eles podem ser cristãos? No máximo eles deveriam ser céticos, não cristãos. 

Em segundo lugar, no que diz respeito à questão da intolerância, de fato existem falsos cristãos que, em nome de um suposto zelo pela verdade de Deus, chegam até mesmo a destruir símbolos de outras religiões. A bíblia em lugar algum autoriza isto! Esses comportamentos são acertadamente combatidos pelo Kléber Lucas e devem ser  combatidos por qualquer cristão. A bíblia não ensina que o evangelho deve ser anunciado através da força, por imposição física ou destruindo, de forma impositiva, culturas diferentes. Paulo e os demais apóstolos não chegavam nas cidades destruindo símbolos religiosos. A mudança de uma cultura pagã para uma cultura cristã defendida pelo evangelho deve ser efetuada através da recepção voluntária do evangelho, e não por imposição física(At 17:30). Se o evangelho é o poder de Deus, ele não precisa das muletas da imposição física humana. É bem verdade que Deus é o único agente que pode impor algo de maneira justificada. Mas não estamos falando da justificada e racional imposição divina aqui. Estamos falando de uma irracional imposição física humana em relação à pregação do evangelho, e esta imposição não é bíblica.  Deus, por exemplo, impôs que a condenação será uma realidade para os negadores do evangelho. Mas note bem, essa imposição é divina; não é uma mera imposição física humana. Somente Deus tem autoridade de impor sem ser refutado. Alguém pode dizer que o Deus bíblico é intolerante. Mas, e daí? Ele mesmo diz que é intolerante em relação à muitas coisas. O Deus bíblico claramente se revela como um Deus que não tolera a injustiça e o pecado(Is 1:13). Se Deus está errado nisso, que o relativista cristão me aponte o padrão pelo qual Ele julga as ações de Deus. É bem verdade que Deus também impõe determinados princípios(leis, códigos etc) usando instrumentos humanos. Mas novamente, estamos falando exclusivamente da pregação do evangelho, e em lugar algum nos é ensinado que o ato de acreditar em Cristo deve ocorrer mediante imposição física. 

Sendo assim, não é intolerância acreditar no Cristianismo como verdade única. Defender o cristianismo como única religião verdadeira, não implica que eu deva destruir símbolos religiosos de ninguém. É totalmente possível e racional ser um cristão não-relativista e tolerar pessoas não-cristãs. Kléber Lucas parece não ter entendido isto, pois busca combater a intolerância usando um falso remédio, isto é, o relativismo.

Em terceiro lugar, a ideia defendida por Kléber Lucas bem como todos os relativistas cristãos de que " todas as religiões são verdadeiras, ou que todas nos levam a Deus" é uma ideia estúpida e irracional. Qualquer estudante sabe que a lógica  contraria a ideia de que todas as religiões são verdadeiras. Uma das leis da lógica, a lei da não-contradição, diz que " duas afirmações contraditórias não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo e no mesmo sentido". Sendo assim, como alguém pode sustentar, à luz da racionalidade, que o cristianismo e o islamismo são duas religiões verdadeiras ao mesmo tempo? Ora, enquanto que no islamismo Cristo não é visto como Deus, mas apenas como um profeta, no cristianismo Ele é revelado como o logos divino. Como esses dois ensinamentos podem ser verdadeiros ao mesmo tempo? O islamismo nega que Cristo seja Deus em qualquer sentido. Para o budista, o mundo não teve início, enquanto que, para o cristão, o universo foi criado por um Deus Trino e Todo- poderoso. Como sustentar estes ensinos bem como todos os outros ensinamentos de todas as religiões ao mesmo tempo e no mesmo sentido? Como afirmar que todas as religiões estão ensinando a verdade, se todas elas trazem ensinos e princípios auto-excludentes? Acreditar que todas as religiões são verdadeiras é coisa de gente preguiçosa intelectual, estúpida e irracional. Isso não é preconceito, é um conceito firmado baseado na racionalidade. O cristão racional não é obrigado a respeitar a irracionalidade. A irracionalidade é pecaminosa, pois Deus nos fez seres racionais(Gn 1:27). Portanto, o cristão que tolera a irracionalidade é um cristão que tolera o pecado.

É preciso destacar que a intolerância religiosa é um fato. Mas, antes de tudo, como eu sei que intolerância religiosa é algo moralmente reprovável sem um padrão objetivo que fundamente isto? A base do relativismo é a negação de verdades ou padrões absolutos e objetivos. Boa parte dos relativistas religiosos, são relativistas morais. Já outros, são relativistas religiosos mas defendem absolutos morais. Esses últimos usam qual critério arbitrário para abraçarem o relativismo religioso, mas defenderem absolutos morais? Se, como já vimos, o relativismo religioso é insustentável por desconsiderar a lei da não-contradição, como esses relativistas podem sustentar absolutos morais sem o uso da lei que eles também desconsideram em questões religiosas? Se a lei da não-contradição é uma verdade absoluta, ela é verdadeira em qualquer realidade; até mesmo quando aplicada ao raciocínio acerca da moralidade e em discussões sobre religião. Mas se ela não é verdadeira, a afirmação "roubar é algo moralmente errado", pode significar o seu contraditório, isto é, "roubar é algo moralmente certo". "Jesus é Deus" pode significar o seu contraditório, isto é, "Jesus não é Deus". 

Cristão nenhum deve tolerar o erro e o pecado, o que não significa dizer que não devemos tolerar aquele que erra. Sim, devemos ser tolerantes com os pecadores. Como destacamos acima, não devemos sair por aí chutando ou queimando os que não receberam o evangelho. No entanto, nenhum cristão está obrigado a aplaudir ideias ou cosmovisões falsas. Devemos condenar, no campo das ideias, os falsos ensinos abertamente(Ef 5:11). O problema do famoso cantor, como o de todo relativista religioso é querer remediar a intolerância com o veneno do relativismo.  O deus de Kléber Lucas não pode ser o Deus da bíblia. O deus de Kléber Lucas é um deus irracional e esquizofrênico, portanto, é um deus falso. É um deus que se revela à humanidade mediante às religiões com princípios auto-excludentes. É um deus que afirma o que nega, e nega o que afirma. Esse deus não é o Deus das Escrituras.

Soli Deo Gloria 

Álvaro Rodrigues