sábado, 17 de dezembro de 2016

A INFLUÊNCIA DA RELIGIÃO CRISTÃ NOS CONCEITOS DE MORALIDADE E SUA PARTICIPAÇÃO E LEGITIMIDADE NA POLÍTICA


Toda a moralidade e o sentido do certo e o errado presentes em nossa cultura ocidental advém da influência direta da religião, isto é, do cristianismo, queiram os naturalistas ou não; queiram os "contrários à influência da religião na política ou não". Se hoje temos alguma definição de moralidade, isto é devido à influência direta dos ditames do cristianismo. Se o não-religioso quer argumentar que a religião não deve interferir na política, que ele, em nome da boa e velha coerência, jogue no ralo todo, ou parte dos valores morais que ele hoje ainda pronuncia ou defende.

A ideia de dignidade humana presente em nossa realidade ocidental e que é repetida inclusive por não-religiosos, se encontra alicerçada na contribuição direta da mensagem cristã do amor ao próximo propagada por Cristo. Em vários lugares do mundo, bem como aqui no Brasil, a dignidade humana nem sempre fora uma realidade. Aqui por exemplo, certas culturas indígenas, antes da chegada dos europeus cristãos, praticavam coisas que são descritas e classificadas por estes mesmos não-religiosos, como atos ABSURDOS. Refiro-me em específico ao ritual da Antropofagia e até mesmo o canibalismo, onde certos índios comiam seus prisioneiros de guerras. Os valores cristãos trazidos pelos europeus, modificaram muitos dos valores defendidos pelos indígenas de outrora.

Por exemplo, quando vejo um moderninho falar em dignidade humana ou direito à vida, me pergunto por qual padrão os homens tem alguma dignidade ou direito à vida. Nem sempre obtenho resposta satisfatória, somente respostas e argumentos em círculos dissociadas de um fundamento sólido. Alguns chegam a argumentar que o padrão que estabelece o direito à vida, dignidade, etc. não é um suposto Deus ou qualquer ordem natural estabelecida por Ele. Os tais preferem acreditar que os ditos direitos são meros frutos de acordos sociais, que, por meio das leis, são reconhecidos como DIREITOS.

Não precisamos de muito esforço para entendermos o quanto este raciocínio é perigoso e também contraditório. Se os direitos estão fundamentados em meros acordos sociais, o que nos garante que amanhã o seu e o meu direito à vida, dignidade etc. continuarão sendo nossos direitos? Se esses direitos dependem ou são fundamentados por acordos sociais através de leis, amanhã mesmo uma elite totalitária poderia, através de um outro acordo, definir que o direito à vida pertence apenas aos aliados dessa elite. É aqui onde o mora o perigo desse pensamento. Mas agora mostraremos a falha racional.

A falha racional é que a lei humana não é o padrão final que fundamenta estes direitos. O direito à vida, fora PERCEBIDO por certos acordos sociais e pelo estado, mas NÃO FORA DADO por esses acordos sociais ou pelo estado. Eu não respiro porque o estado através de leis decidiu que eu deveria respirar para viver. Eu respiro porque naturalmente é me concedido essa condição para que eu sobreviva. A lei não fundamenta nenhum direito natural, pois, se assim o fosse, não mais seria um direito natural, mas sim um direito concedido pelo estado. É a estrutura natural que fundamenta o direito natural e que, percebido pelo estado, passa a constar na lei. Um outro exemplo específico do perigo da ideia de que as leis humanas fundamentam o direito à dignidade, liberdade e vida é que teríamos então de admitir que a escravidão, que é oposta à liberdade( liberdade esta que também é um direito natural, visto o meu corpo não ser o meu e o seu ao mesmo tempo), defendida por lei em vários momentos da história, foi justa apenas por ter constado, em determinados momentos, na lei. Não é a lei que torna algo intrinsecamente justo ou injusto, mas sim a própria estrutura da realidade natural que é por vezes percebida pelo estado através da elaboração das leis. Essa percepção em nossa realidade ocidental, sem dúvida, foi influenciada TAMBÉM pela própria religião cristã, que traz um sentido e fundamento racional e transcendente para estes direitos naturais hoje defendidos. Para o cristianismo, Deus é o primeiro fundamento de todas as coisas. Sem Ele, nem mesmo a ordem natural estabalecida poderia estabelecer e justificar a si própria. Deus é quem concede sentido à tudo. Ele é quem define os próprios termos. 

O inimigo da religião ainda assim poderá argumentar contra a influência da religião em questões políticas. Mas a pergunta é: se o cristianismo não pode interferir na política, por que o ateu ou o naturalista poderiam? Provavelmente a resposta dos que são contrários à influência da religião, seria: " Porque o religioso não pode impor seus dogmas e valores sobre as demais pessoas". Mas se faz necessário lembrar que não é somente o religioso que possui dogmas, crenças e valores. Os ateus e naturalistas também tem sua cartilha anti-religiosa e dogmática que quer, por muitas vezes, impor por meio da política as suas posições. A grande pergunta seria: por que o ateu pode influenciar com seus valores a política e o religioso não? Por qual padrão a influência ateísta é mais digna que a influência a religiosa? A resposta a essas perguntas é que há claramente um preconceito absurdo contra os religiosos quando qualquer influência é admitida, menos a religiosa.

É bom lembrar a estes moderninhos que os religiosos possuem base racional para a defesa e sustentação de suas proposições. Argumentar que as afirmações do religioso em defesa de seus dogmas são uma composição de argumentos cegos e irracionais, é coisa de tolos ignorantes que nem sequer leram uma linha escrita por algum filósofo cristão ou religioso. 

Quando, por exemplo, o cristão argumenta sendo contrário ao aborto, ele se utiliza da própria argumentação racional e lógica se opondo à tal prática. A influência última da religião na construção de tal argumento, não desqualifica o religioso. O que desqualificaria o argumento religioso seria uma possível falha na construção de sua proposição. Se o ateu ou naturalista não quer que a opinião do religioso referente ao aborto seja aceitável, que ele seja capaz de, primeiramente, desfazer ou destruir a argumentação racional do religioso. Se ele não for capaz disso, que se cale e largue seu preconceito infantil. 

Ora, a cosmovisão cristã é uma tradição religiosa rica em conteúdo filosófico. O cristianismo nos presenteou com figuras e pensadores de alto gabarito e, sem dúvida, boa parte ou nenhum desses moderninhos pseudo-intelectuais seriam capazes de discutir dois minutos com nenhum deles sem que não fossem humilhados vergonhosamente. Portanto, é de se considerar em nome da coerência, a voz da religião e desses pensadores em nossa realidade.

Soli Deo Gloria

Álvaro Rodrigues

terça-feira, 22 de novembro de 2016

RELATIVISMO, CIÊNCIA EMPÍRICA OU CEPTICISMO? EU PREFIRO A RACIONALIDADE DO CRISTIANISMO


Já está mais do que provado que o relativismo é auto-contraditório; nem precisamos repetir. A proposição máxima do relativismo é a "negação de uma verdade objetiva", mas, sem precisar de tanto esforço, logo apreendemos que tal assertiva é contraditória, portanto auto-destrutiva, visto a própria negação da verdade objetiva ser uma afirmação dela em última instância. Os relativistas perceberam o problema e apelam para o relativismo-relativista, que seria a tentativa de relativizar o próprio relativismo. No entanto, esta nova tentativa não deixa de esconder seus problemas pois o relativismo-relativista nos levaria à uma regressão infinita e o relativismo já não mais teria como ser justificado no sentido de poder sustentar com segurança a si mesmo ou alguma proposição derivada. Desta forma, o conhecimento se tornaria impossível restando apenas ao relativista abraçar o ceticismo. Só que, como já ficou mais do que comprovado por grandes apologistas e filósofos cristãos, o cepticismo também é contraditório e auto- destrutivo pois, a máxima de que " a verdade não pode ser conhecida" é colocada, conscientemente ou não, como verdadeira. Portanto, é inescapável para as filosofias negadoras de uma verdade objetiva que até mesmo a negação da verdade, é uma afirmação dela. E que considerando este fato, é uma verdade absoluta que a verdade é uma afirmação necessária. De sorte que, tanto o relativismo, relativismo-relativista e cepticismo são teorias insustentáveis e irracionais.
No cristianismo, a ideia de um Deus que fundamenta a realidade não contém em si mesma nenhuma contradição. E não faz sentido perguntar " por qual fundamento Deus é o fundamento?", pois, se houvesse um padrão que autentica Deus , Deus não mais seria o fundamento, mas apenas uma derivação de um outro fundamento. Ora, toda cosmovisão parte de um primeiro princípio, e este primeiro princípio DEVE, por necessidade, ser auto-autenticado. Do contrário, as cosmovisões, com suas proposições derivantes deste primeiro princípio, não teriam sustentabilidade. Se o primeiro princípio de um pensamento for falho, as proposições derivantes também serão. De sorte que o primeiro princípio é auto-autenticado quando nele não há contradições internas e sendo ele, portanto, capaz de se auto-justificar.
Desta forma, acreditar que Deus é o princípio primeiro e último da realidade é algo logicamente válido e sustentável. Ademais,acreditar que o fundamento da realidade é um Ser maior que a própria realidade é o mínimo que se é requerido. Pôr como fundamento da realidade algo menor que a realidade é pura contradição. A ciência empírica é em si mesma ineficiente e, por vezes, entra em contradição desdizendo o que outrora defendia. Logo, não deveria servir, ou não serve como primeiro princípio. 

A superioridade do cristianismo é encontrada na sua consistência interna. Na racionalidade cristã não há contradições. A cosmovisão cristã não é apenas logicamente sustentável, ela é também abrangente atendendo assim a todas as demandas da vida humana sejam morais, éticas, cultural, econômica etc.

Soli Deo Gloria
Álvaro Rodrigues

sábado, 16 de janeiro de 2016

A impossibilidade e auto-contradição do relativismo


Relativismo é a crença de que a verdade objetiva e valores éticos e morais absolutos não existem, mas que os valores morais são frutos de convenções sociais de cada cultura em particular. Em outras palavras, o relativismo apregoa que "é falsa a crença de que os conceitos de bem e mal  podem ser definidos objetivamente, isto é, de forma absoluta". Para o relativista, o bem e o mal são definidos por cada cultura em particular. Desta forma, para o relativismo, certa ação tida como um "bem" para determinada cultura, pode ser, para outra cultura, um mal. De forma que cada cultura teria suas verdades em particular e que tais verdades não poderiam ser impostas à outras culturas, e que muito menos seria correto certa cultura julgar ou criticar as concepções de ética e moralidade de uma outra determinada cultura. Entende-se, no relativismo, que a cultura ou determinado contexto social seriam os definidores do que seria considerado certo e errado. Podemos então resumir nossa definição afirmando que o relativismo é a negação total da existência de um padrão ético e moral universal, ou que se aplique à humanidade no geral.

Definido em poucas linhas o que é relativismo, partiremos para o objetivo deste pequeno texto que é demostrar as implicações irracionais do relativismo, sendo ele posto em prática ou não. Como também, demostrar que tal cosmovisão é falsa e auto-destrutiva, pois seu princípio primeiro, que serve de fundamento para as outras proposições da cosmovisão, é falho e auto-contraditório.

 Para facilitar e ser mais preciso, coloraremos  4 das proposições mais comuns e utilizadas pelos relativistas:

1. Os valores morais e éticos são resultados de acordos sociais em um determinado contexto cultural.

2. A verdade absoluta não existe, ela é subjetiva à cada cultura

3. Uma cultura não pode criticar outra determinada cultura, e muito menos impôr seus valores particulares sobre ela.

4. A existência de vários princípios morais e éticos diferentes  se estabelece como a prova de que a verdade é relativa

(1) O relativista, quando usa a primeira proposição, coloca os acordos sociais como o fundamento daquilo que se deve considerar como certo ou errado. Mas há um problema aqui. Se  o fundamento da moralidade, isto é, do que pode ser considerado certo ou errado são os acordos sociais entre pessoas, e em especial as convenções impostas por um determinado governo, este então parece ser um péssimo e falho fundamento. Ora, se os acordos sociais são feitos por homens falíveis, este fundamento(acordos sociais) pode ser falível também. Sendo assim, por que eu deveria aceitar e ter como verdadeiro este fundamento, sendo que ele é construído por homens que são falíveis iguais a mim?  Nada nos garante que este fundamento, e o que foi definido por ele  como bem ou mal, estejam corretos. Desta forma, a base do relativismo para a negação da verdade e dos valores objetivos é falha e incerta; daí surge a necessidade de um fundamento transcendente e auto-autenticado. Além disto, a afirmação de que "o certo e o errado são resultados de convenções sociais", é posta como uma verdade absoluta para alguns relativistas, o que é um "tiro no pé" da própria cosmovisão deles.

(2) A segunda proposição é auto-contraditória, pois a afirmação de que "a verdade absoluta não existe" é colocada como verdade absoluta. Alguns relativistas, percebendo a contradição, afirmarão que esta proposição("verdade absoluta  não existe") também é relativa. Porém isto não resolve o problema do relativista, porque se é relativa a afirmação de que "a verdade absoluta não existe",  não saberíamos em que contexto  ela seria aceita e aplicada, como também, cairíamos em uma regressão sem fim, e o relativismo já não mais teria como ser justificado. 

(3) A terceira proposição é bastante utilizada em nossas universidades que promovem descaradamente esse relativismo moral, ético e cultural. Mas, da mesma forma que as primeiras proposições, esta tem seus problemas. Primeiramente, se nenhuma cultura pode ser criticada, então nem mesmo culturas que promovem valores contra a integridade humana poderão ser criticadas. Em segundo lugar, mesmo que o relativista assuma o equivoco dessa proposição e reconheça que a integridade humana deve ser sempre preservada, ele ainda teria de justificar  porque o ser humano tem direito a ter sua integridade preservada. Por qual padrão os seres humanos devem ter sua vida e integridade preservadas? Se o relativista utilizar o padrão das convenções sociais, ele estaria, por definição, impondo uma convenção particular de determinada cultura, que  preservar o direito à vida, sobre outra determinada cultura que não preserva este direito. Agindo assim,  o relativista estaria contradizendo a sua própria proposição em análise.

(4)
 O relativismo ensina que  várias pessoas podem chegar a uma conclusão diferente sobre determinado fato, e que isto, por definição, favorece a ideia de que não existe uma verdade objetiva universal, mas que existem verdades particulares ou subjetivas.  Entretanto, o fato da existência de culturas com seus divergentes valores morais e éticos não é a comprovação de que o relativismo é autêntico. As diferenças de valores morais e éticos apenas comprovam "divergências" de valores, nada mais. Além do mais, poderíamos retrucar afirmando que "muitas pessoas podem divergir sobre algo, mas que isto não anula a possibilidade de que apenas uma delas esteja correta e as outras erradas".  Sendo assim, a quarta objeção não faz o menor sentido; ela é uma conclusão precipitada.

A verdade clara que muitos relativistas insistem em não querer enxergar é o fato de que eles não tem um bom fundamento para sustentar sua cosmovisão. O relativismo nega  a realidade de uma verdade objetiva e universal; esta negação é a causa de sua cosmovisão ser irracional e auto-contraditória. Alguns relativistas tem entendido isto, mas muitos deles tem abraçado outra visão de mundo que também não é satisfatória; refiro-me ao cepticismo. O cepticismo se resume na crença de que "a verdade não pode ser conhecida". Só que como o relativismo, o ceticismo é auto-destrutivo, pois também está pressupondo que a sua afirmação "a verdade não pode ser conhecida" é verdadeira. 

É por tudo isto já descrito que surge a necessidade da crença em um Ser que transcende a realidade física e natural. A estrutura da criação demostra a existência deste Ser. Este Ser estruturou toda a ordem cósmica existente; de forma que  o fundamento da realidade se encontra neste Ser que facilmente se faz conhecido. Este Ser deve ser o padrão Absoluto e Auto-autenticado, isto é, um ser racional, lógico e sem contradições em si mesmo. Este Ser só pode ser o Deus Bíblico, que com seus padrões e leis se estabelece como o princípio primeiro e último que dar sentido a toda a realidade. É Ele quem define o que é moralmente aceitável ou reprovável. É Ele que fundamenta o direito à integridade dos homens . A definição dos termos e das coisas não vem dos homens, mas do Deus que é superior e criador dos homens. Este Deus é o padrão e fundamento primeiro e último, auto-autenticado, pois não existe um ser superior a Ele. Este Deus se auto-justifica, quando diz "Eu Sou o que Sou"(Êx 3:4). E também quando diz: " Eu sou o Senhor, e não há outro; fora de mim não há Deus"(Is 45:5). As divindades de outras religiões não podem ser o fundamento da realidade, visto ser elas divindades que contradizem umas às outras. A racionalidade do cristianismo joga por terra quaisquer filosofias e cosmovisões existentes.

Observação: Não ofereceremos neste texto uma defesa exaustiva do cristianismo ou do Deus bíblico em comparação com outras filosofias e religiões em particular. Faremos isto em uma outra oportunidade. A preocupação do texto é de apenas demostrar a irracionalidade do relativismo.

Por último, não é precisa ser  teólogo ou especialista bíblico para entender que a cosmovisão relativista é totalmente antagônica ao cristianismo. Cristãos que buscam esta conciliação são desobedientes ao testemunho de Cristo descrito em João 14:6. As razões para se rejeitar o relativismo já foram expostas, cabe ao cristão sincero abraçá-las. O convite se estende ao não-cristão; o cristianismo bíblico é capaz de satisfazer o intelecto de qualquer estudioso sincero que almeja conhecer a verdade.

Soli Deo Gloria

Álvaro Rodrigues

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Gênesis 3:16 abona o machismo ensinando a inferioridade da mulher?



Gênesis 3:16 é um dos textos utilizados pelos incrédulos para fundamentar a proposição de que "a bíblia abona o machismo e a inferioridade das mulheres em relação aos homens". Para esses incrédulos, a expressão " o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará", é a prova cabal de que a escritura é machista e que legitima a opressão sobre as mulheres. Além disto, o outro argumento utilizado por estes não- crentes para fundamentar a ideia de que o texto é machista é que "o texto parece demostrar que somente a mulher sofreu com as devidas consequências da queda". Ora, na verdade existem outros textos que são utilizados para fundamentar as tais proposições dos incrédulos, mas no momento apenas irei me deter em analisar Gênesis 3:16 e responder as tais objeções levantadas contra a relevação bíblica, bem como analisar o real sentido da submissão da esposa ao marido, entre outras questões que são resultantes do tema.

Gênesis 3:16 diz : "E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará"

Em primeiro lugar, situando o versículo, o que está sendo tratado nele, bem como em boa parte do capítulo, é o terrível fato da queda do homem, e, logo em seguida, das consequências resultantes desta queda.  É preciso entender que, com a queda, toda parte da criação de Deus sofreu com as devidas consequências, e a mulher não ficou imune  à esta dura realidade. No entanto, alguns desses críticos  se esquecem que, neste mesmo capítulo, é falado que o homem também tem participação nas consequências da queda; não somente a mulher. No capítulo 3 de Gênesis, mais precisamente no versículo 17, é dito que Deus faria o homem sofrer dores para conquistar o pão diário e se manter. Portanto, não só foi a mulher que sentiu na pele as consequências da queda; o homem também. Agora, quanto a questão do texto em análise e sua afirmativa de que o homem irá dominar a mulher, alguns esclarecimentos são necessários.

Primeiramente é bom lembrar que a questão da liderança, muito antes da queda, já era uma função dada por Deus ao homem, tanto é que fora dada a Adão a responsabilidade de cuidar do Jardim(Gn 2:15), sendo a mulher a sua ajudadora(Gn 2:18). Como também, o Apóstolo Paulo fundamenta o princípio da submissão não como uma consequência da queda,  mas na perfeita ordem da criação estabelecida por Deus antes dela(1 Tm 2:13).  Em segundo lugar, quando o texto diz que o homem dominaria a mulher, refere-se ao fato de que esta relação de submissão, que antes da queda era harmoniosa, agora seria, na maior parte dos casos, desarmoniosa; ou seja, o homem iria, mediante a força ou por outros meios incorretos, buscar dominar a mulher, e a mulher buscaria, em muitos casos, resistir a esta dominação. E é isto o que de fato acontece. Então, primeiramente nota-se que o texto não ensina a questão da submissão como algo que é consequência da queda. O foco do texto é demostrar as consequências do pecado e a desarmonia que este pecado trouxe  para o que Deus havia definido naturalmente antes da queda, que era uma submissão harmoniosa, respeitosa e até amorosa da mulher para com o homem.  De forma que o texto está apenas testificando UM FATO que à partir da queda, como consequência, em vários casos se tornaria patente. Gênesis 3:16  não diz que Deus havia ordenado o homem controlar de forma abusiva, e muito menos tratar mal a sua esposa, diz apenas o que aconteceria à partir de então. Em outras palavras, o texto seria apenas a testificação de uma realidade  pós-queda. O texto não está tratando da vontade prescritiva de Deus, isto é, de um mandamento dado aos homens para que estes maltratem, agridam e não amem as mulheres. Para que o crítico da bíblia tenha razão em sua afirmação de que o texto é machista, ele primeiramente  deverá (no mínimo) provar que Deus ordenou em tal texto que o homem trate mal a sua esposa, ou que tal texto esboça um tipo de inferioridade da mulher. O texto só fala das consequências da queda, isto é, da incapacidade do homem e da mulher de , em alguns casos, cumprir com suas funções de líder( no caso o homem) e ajudadora(no caso a mulher).

Não há na Escritura nenhum mandamento que ordene o homem bater, humilhar, e até matar sua esposa; o que há é justamente o contrário. Na bíblia, existe um claro mandamento dado por Deus, por meio do Apóstolo Paulo, para que os homens amem as suas mulheres. Paulo, em Efésios 5:22-32, é tão enfático quanto a isto que repete por TRÊS VEZES o mandamento "maridos, amai vossas mulheres". E não somente isto, o apóstolo também diz "Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela(5.25). Ou seja, o marido deve amar sua esposa da mesma forma que Cristo amou a igreja, isto é, com amor incondicional. Amar a mulher como Cristo amou a igreja significa estar disposto a morrer e, se necessário, passar por várias humilhações possíveis, e tudo isto por amor de sua esposa. Sim, é isso mesmo, o marido deve estar pronto para, se for preciso, até mesmo entregar sua vida por amor à sua esposa. Agora responda-me o inimigo da escritura: onde há nesta bíblia um único mandamento dessa natureza dado por Deus à esposa?  Simplesmente não existe! Não há na bíblia, nem mesmo  uma única passagem, que ordene a mulher entregar  sua vida e dar proteção ao seu esposo como cópia do modelo do amor de Cristo pela igreja.


Já quando se fala em submissão da esposa ao marido, significa dizer que ao homem foi entregue o papel de líder do lar. É enorme a diferença entre ser  líder e ser um ditador. Ao homem foi entregue a responsabilidade de liderar a sua casa. Deus delega líderes para todas as áreas da vida, seja no trabalho, na escola, no civil, etc.  Ele também não poderia esquecer da família. O papel do líder pode se resumir em duas palavras: provisão e proteção. O homem deve ser o provedor de seu lar, como também tem o dever de proteger sua família. A mulher corresponde isto sendo ajudadora e submissa a ele.  A mulher, por ser submissa, não está proibida de ter voz em sua casa(Mc 10:8). A mulher é o coração do lar; ela precisa ser ouvida e amada. O bom marido, em determinados momentos de conflitos, ouvirá as razões de sua esposa, e deve seguir as recomendações dela em muitos casos. Mas, quando não se chega a um denominador comum, a voz do líder deve ser considerada como palavra final, como acontece em qualquer lugar onde há uma liderança. Porém, devemos nos lembrar do fato de que esta submissão é no Senhor(Cl 3:18), ou seja, a mulher não deve se submeter ao marido que exige dela desobediência a Deus e Sua palavra. Outro detalhe importante é que submissão não implica inferioridade, mas sim no amor. O maior exemplo bíblico de que submissão não implica inferioridade é visto na pessoa de Cristo que "sendo Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas se submeteu ao Pai tomando forma de servo"(Fl 2). Ora, deste exemplo vemos a impossibilidade de ser cristão e defender que submissão implica inferioridade. Cristo não se submeteu ao Pai por ser inferior(Ele é Deus), mas por amor e obediência.  

Outrossim, é bom lembrar que,  numa perspectiva divina, o valor de uma pessoa encontra-se fundamentado na pessoa do próprio Deus que é o fundamento último de toda a realidade(visto não existir um princípio de autoridade maior que Ele)  e que, por isto, define o que é valor e o que não é. Deus não define a mulher como inferior ao marido por ela dever a este uma submissão; Deus não definiu Cristo como sendo inferior a Ele à partir do momento que Cristo quis ser Seu submisso. Então quem é o pseudo-cristão para levantar a proposição "submissão implica em inferioridade" quando Deus diz que não é assim?

Além disto, numa perspectiva puramente humana e profissional, entendemos que o valor de alguém não é medido pela função(profissão) que ele(a) tem, mas pelo compromisso com a função exercida. Um auxiliar de enfermagem pode até não ter o mesmo status que um enfermeiro, mas ele pode ser reconhecido como alguém de maior valor do que o tal enfermeiro, quando cumpre com suas responsabilidades e o enfermeiro não. Logo, o valor é medido pela responsabilidade da pessoa, não por suas funções. Este mesmo raciocínio vale para o princípio da submissão da esposa ao marido. A mulher não é inferior quando cumpre com a sua função de se submeter a ele. Muito pelo contrário, quando ela se submete, demostra biblicamente ser de valor tanto quanto o marido, pois cumpre com sua função de esposa. 

Desta forma, podemos sustentar a crença de que Gêneses 3:16 e toda a bíblia não abona o machismo ensinando a inferioridade da mulher. Quem faz tal acusação, prova para si mesmo a sua ignorância e desinformação no que refere-se à revelação escrita de Deus. A palavra de Deus permanece firme e inabalável para todo o sempre; ela não se contradiz. A  revelação escrita de Deus é o princípio último e fundamento de toda a realidade; sem Deus e a Escritura, não existe padrão coerente a ser seguido.

Sola Scriptura

Álvaro Rodrigues


sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Refutações ao conceito de livre-arbítrio como o fundamento do amor genuíno


De acordo com os arminianos, não existe amor sincero e genuíno à parte da liberdade, isto é, do livre-arbítrio. Uma das grandes críticas dos arminianos à soteriologia calvinista é que "no calvinismo, Deus cria robôs programados para serem salvos ou se perderem. De forma que, por exemplo, não existe relacionamento de amor sincero entre Deus e os que foram escolhidos para serem salvos". Em outras palavras, para o arminiano, Deus predestinar incondicionalmente um homem para a salvação significa dizer que não há amor genuíno entre esse predestinado e Deus. Normalmente, essa critica arminiana é acrescentada pela falácia de que "no calvinismo, Deus violenta a liberdade e a vontade da criatura para que esta  seja salva". É como se a pessoa não quisesse ser salva, e Deus violentasse tal querer dizendo "não, você será salvo". Para os arminianos, os homens só não irão ter suas vontades violentadas enquanto existir neles o poder do livre-arbítrio. Ora, as objeções arminianas são ilógicas, e é isto que demostraremos agora.

O arminiano diz: "No calvinismo, Deus cria robôs programados para serem salvos ou se perderem"

Resposta: Essa afirmação arminiana não faz o mínimo de sentido. Por quê? Porque ao contrário dos robôs, o homem tem uma consciência,  sentimentos, vontades, desejos etc. Isto por si já refuta a proposição arminiana. Além do mais, apesar do homem não ser livre dos decretos divinos, ainda assim ele tem vontades e escolhe agir de acordo com sua natureza que, após a queda, encontra-se decaída(Lc 6:43). Digamos que o homem tem uma vontade condicionada, e não totalmente livre. O homem quando peca, quis pecar. O pecado é algo no qual a natureza humana se deleita(Rm 3). O homem, após a queda, perdeu a sua capacidade de obediência aos mandamentos divinos(Gn 8:16) Somente mediante a operação divina, através da vivificação, é que tais homens poderão escolher obedecer os mandamentos de Deus(Ef 2, Jo 5:21, 6:44). Ora, respondida a primeira objeção, partiremos para a próxima que irá requerer  uma atenção maior.

O arminiano diz: "Não existe relacionamento de amor sincero e genuíno sem a liberdade".

Resposta: Primeiramente, não é o arminiano quem define o que é amor sincero. Qual é o padrão último pelo qual as proposições cristãs devem buscar fundamentação? É A ESCRITURA. Portanto, é a bíblia quem define o que é amor sincero ou não. E não encontramos em lugar algum da escritura fundamento para a afirmação arminiana de que o amor genuíno vem da liberdade. A bíblia diz que o amor vem de Deus. O apóstolo Paulo escrevendo a Timóteo diz que "Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, E DE AMOR, e de moderação"( 2 Tm 1:7).  Quem nos deu um espírito disposto a amar? O texto nos responde:  Deus nos deu, não o próprio homem! Ora, o homem não pode amar se não for capacitado por Deus primeiramente. O amor genuíno vem de Deus, não do homem. A disposição de amar é dada pelo próprio Senhor, visto que nenhum homem pode amar genuinamente a Deus à parte de uma transformação em seu coração(Ez 36:26,27). A liberdade da vontade não define a validade do amor; Deus em quem define. Portanto, o fundamento do amor autêntico é Deus, não a liberdade humana.

É bem verdade que o arminiano responderia  essas colocações evocando a ideia de que Deus daria ao homem uma graça preveniente que proporcionaria as condições necessárias para o exercício da "liberdade como o fundamento do amor genuíno". Para Armínio, o Senhor Deus, levando em conta a incapacidade humana de corresponder a Sua vontade, teria derramado sobre todos os homens que são alcançados pela pregação, a sua graça salvífica para que por fim sejam eles capazes de amar a Deus livremente. Esta graça seria capacitadora e dependeria, em última instância, da decisão humana para que os efeitos salvíficos  dela fossem de fato realizados. A graça preveniente despertaria os homens de sua morte espiritual dando a eles condições de responderem ao chamado de salvação. Essa posição parece fazer bem ao nosso ego, mas ela, quando analisada em profundidade, não pode esconder suas falhas e incoerências. 

Ora, está claro que a finalidade de se evocar a graça preveniente, nos moldes arminianos, não é outra senão a de proteger "a liberdade humana como fundamento do amor genuíno". Mesmo com a graça preveniente, continua em questão a máxima arminiana de que "para que haja amor verdadeiro e responsabilidade moral, os homens devem(por necessidade) ser livres".  Em última instância, o que importaria para o arminiano seria a preservação da liberdade como fundamento do amor sincero. A graça preveniente não seria o fundamento do amor, mas seria apenas UM MEIO para se chegar ao fundamento que é a liberdade.

A falha teológica da concepção de graça preveniente nos moldes arminianos é que, se Deus derramou essa graça sobre todos os que escutam o evangelho, a consequência lógica seria que não existem mais os ignorantes, cegos e mortos espirituais. Todos agora podem ir a Deus, pois, mediante a graça preveniente, entendem as implicações da mensagem do evangelho. Só que isto contraria frontalmente Rm 3:11, quando o apóstolo diz: "Não há quem entenda, não há ninguém quem busque a Deus". Essa posição também contraria as nossas experiências de evangelismo, que demostram o alto nível de cegueira, ignorância e escravidão espiritual dos homens à medida que pregamos para eles. Claro, não estamos evocando a experiencia para fundamentar a escritura, é justamente o contrário; é a escritura que fundamenta esta realidade. Desta forma, textos como por exemplo o de Tito 2:11, que afirmam que a graça se manifestou salvadora a todos os homens, referem-se ao fato de que Deus não salva pessoas de  apenas uma raça, povo ou língua; mas que também salva pessoas de todas as nações do mundo. Em outras palavras, Deus tem seus escolhidos em TODOS os cantos da terra. Isto corrobora com o que o próprio Cristo falou em Jo 10:16 quando diz: "Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor". O Senhor escolheu pessoas(ovelhas) de TODOS os tipos, ou de TODOS os lugares da terra; é neste sentido que a graça manisfestou salvação a todos os homens. Ademais, nem mesmo para o arminiano a graça salvífica é estendida a todos sem exceção. A graça salvífica, para o arminiano, é acompanhada pelo ato da pregação do evangelho, e sabemos que nem todos ouviram ou ouvirão o evangelho. E nisto o arminiano está correto, pois à parte do evangelho não há salvação, visto que Deus decretou salvar os crentes pela loucura da pregação(1 Co 1:21)

A segunda falha que podemos encontrar nessa concepção de graça no arminianismo é que, para Armínio, a graça regenera parcialmente o homem tirando este de seu estado de incapacidade e transportando-o para uma condição de capacidade em atender as exigências do evangelho.No entanto, a regeneração parcial é anti-bíblica, pois não há nenhuma regeneração desse tipo na escritura. Não existe transformação parcial, ou pela metade. O que existe é uma transformação eficaz, que de fato concede vida ao pecador ressuscitando-o de seus pecados(Ef2:1).O  homem não ressurge(regenerado parcialmente) para ser capaz de crer e, depois, escolher não crer para morrer espiritualmente de novo. O homem não se encontra em um estado de vivo-morto, morto-vivo. Ou ele está vivo e crê, ou está morto e por isso não crê. A obra de Cristo é poderosa; ela não é imperfeita ou feita pela metade. A bíblia refuta o conceito de regeneração parcial quando diz que os nascidos de Deus creem em Cristo(1 Jo 5:1), e não pecam deliberadamente(1 Jo 3:9). O raciocínio é simples: se creu de verdade em Cristo, foi nascido de Deus; se não creu de verdade ou permaneceu incrédulo, nunca foi nascido de Deus(1 Jo 2:19). Não existe meio termo, ou é, ou não é.

A verdade é que o arminiano jamais poderá explicar de forma coerente o que faz com que alguns que foram regenerados parcialmente(segundo a concepção arminiana) rejeitem o evangelho, e outros aceitem. Qual é a causa da aceitação de alguns e da rejeição de outros? É sabido de muitos que os arminianos tem pavor quando escutam o termo "causação". Entretanto, se as decisões humanas não são resultados da condição humana interior, o que causa então essas decisões?  Se a escolha não é causada por algum componente encontrado em nossa própria natureza, então ela é uma escolha no vácuo, sendo assim, por que eu seria responsabilizado por tal escolha? A verdade é que nossas decisões são causadas pela nossa condição interior,  e isto é respaldado pelo próprio Cristo quando disse que "uma árvore boa dá bons frutos, uma árvore má dá maus frutos"(Mt 7:17). Aqui está claro que, para Cristo, eu dou bons frutos(obedeço) quando JÁ SOU UMA BOA ÁRVORE, isto é, quando sou regenerado. Mas, quando não dou  bons frutos(desobedeço deliberadamente), NÃO SOU, ou AINDA NÃO ME TORNEI UMA ÁRVORE BOA, ou seja, não sou, ou ainda não me tornei um regenerado. A escritura não concede margens para se pensar em algum tipo de regeneração diferente. Desta forma, o arminiano falha em sustentar biblicamente a sua concepção de graça preveniente, e também falha em buscar fundamentar o amor genuíno na livre decisão ou liberdade humana por meio dessa graça. 

Uma questão crucial na teologia arminiana é que  Deus, segundo essa teologia, ama mais a liberdade do que a própria criatura. Se você estiver argumentando com um arminiano ele por vezes dirá que sua teologia busca proteger o caráter amoroso de Deus por suas criaturas. Mas a verdade é que o arminianismo não passa de uma tentativa humanista de tentar justificar as ações soberanas de Deus. Sabemos o fato de que Deus não depende de defesa nenhuma, muito menos precisamos tentar justificar as ações Dele a quem quer que seja. Muito menos seu caráter amoroso fica em xeque quando defendemos a Sua soberania absoluta. O erro do arminiano é acreditar  que o livre-arbítrio  resolve ou isenta Deus das más ações das criaturas. Um exemplo nos ajudaria a entender que o livre-arbítrio não resolve coisíssima nenhuma quando o assunto é a questão do mal. Ora, suponhamos que um grande amigo seu, caro leitor, o qual você diz amar e que daria a vida por ele, estivesse com um veneno em mãos para tomar e tirar a própria vida. Agora imagine você tendo todas condições possíveis para evitar com que seu amigo, o qual você ama, tome esse veneno e morra, e mesmo assim você nada fazer. Se esse seu amigo tomasse o veneno nessa situação você não se sentiria culpado também? Provavelmente, a sua resposta seria um sonoro SIM visto que você poderia ter evitado e nada fez. Você foi omisso, seus sentimentos de consideração e amor pelo seu amigo seriam colocados em duvidas por todos. Até mesmos as leis humanas, manchadas pelo pecado, enxergariam sua culpa(omissão em muitos casos, configura-se num crime). Bom, agora troque a palavra "você" por "Deus", e "amigo" por "seres humanos". Na teologia arminiana temos Deus como Todo-Poderoso e os seres humanos que comentem as mais diversas barbaridades. Deus, por ser Todo-Poderoso, pode ou poderia ter evitado as atitudes malignas dos homens, mas mesmo assim nada faz pois respeita a liberdade da criatura. Aqui fica mais do que comprovado o fato de que Deus, no arminianismo, ama mais a liberdade do que a própria criatura. Logo, a teologia arminiana não se preocupa com o caráter amoroso de Deus para com todas as criaturas, mas com o seu caráter amoroso para com a liberdade humana. Dessa maneira, a liberdade não resolve nada quando o assunto é as ações pecaminosas dos homens; apenas muda o problema de lado. Para o arminianismo, Deus no calvinismo é culpado de ser o "autor praticante da maldade" por ter decretado o mal; o que não é verdadeiro. Só que como já demostrado, o livre-arbítrio em nada resolve o problema, pois Deus no arminianismo poderia ser acusado de omissão, visto que nada fez quando poderia ter feito. Você seria capaz de chamar Deus de omisso, caro arminiano?

Observação: Não oferecerei aqui uma defesa abrangente da relação "Deus e o mal" segundo o meu entender como calvinista. Farei isto numa outra oportunidade, querendo Deus. Por enquanto, recomendo apenas o texto "O que penso sobre o decreto da queda". Neste texto demostro rapidamente a minha posição quanto a atuação e relação Divina com o pecado humano, em especial o  pecado de Adão.

O arminiano diz: "No calvinismo, Deus violenta a vontade da criatura para que esta seja salva ou condenada"

Resposta: Na verdade, o arminiano quando levanta essa objeção, não percebe em quão grande contradição está caindo. Ora, se para o arminiano o calvinismo faz dos homens apenas robôs que são manipulados por Deus, não faz sentido dizer então que "Deus violenta a vontade do homem". Ora, robô por algum acaso tem alguma vontade para ser violentada? Os arminianos devem decidir se de fato a teologia reformada faz dos homens robôs manipulados, ou não. Se o homem tem sua vontade violentada então, por definição, ele tem uma vontade que está sendo violada. Logo, não pode ser um robô.

Como também, esta objeção já foi respondida por vários calvinistas e até mesmo por mim. A teologia reformada não ensina que o Espírito Santo regenera ou transforma as pessoas forçando a vontade delas. O termo "forçar" implica "relutância" da parte de quem está sofrendo a ação. Mas, como não há relutância no momento da regeneração, como então o arminiano poderá dizer de forma consistente que a vontade da criatura está sendo forçada? Ademais, por algum acaso a graça preveniente arminiana força a criatura pelo simples fato de Deus não ter consultado as criaturas para aplicá-la? No arminianismo as pessoas são regeneradas parcialmente apulso e tendo suas vontades caídas violentadas pela regeneração parcial? Creio que o arminiano dirá que não. De forma que, o milagre da salvação no calvinismo, é apenas uma transformação da condição humana, nada mais que isto. O relacionamento entre Deus e o eleito é de amor verdadeiro e genuíno, visto que este amor parte de Deus que é o fundamento de Tudo.

Assim sendo, podemos concluir afirmando que a Escritura é a base pela qual as proposições cristãs devem ser sustentadas. Desta forma, o amor genuíno tem por fundamento o próprio Deus, não o livre-arbítrio.  Que a graça preveniente a qual, segundo o arminianismo, concede liberdade aos homens, é incoerente. Sendo então incoerente(pelas razões já demostradas), não pode ser um meio consistente que conduz o homem para o fundamento do amor genuíno que, segundo os arminianos, é a liberdade.  Que o homem, mesmo não tendo liberdade, ainda assim não pode ser comparado a um robô. Que a graça salvífica, segundo o entendimento calvinista, não força de nenhuma forma a vontade da criatura, mas opera milagrosamente sobre ela. E que Deus, na concepção arminiana, ama mais a liberdade do que a própria criatura.

Soli Deo Gloria

Álvaro Rodrigues