sábado, 27 de junho de 2015

Deus se manifesta em todas as religiões?


Não é novidade pra ninguém que a crença em valores morais absolutos, nos dias de hoje, tem virado motivo de chacota  visto a sociedade atual ser predominantemente relativista em sua concepção de mundo. É levando isto em conta que traremos à discussão, neste texto, um  tema bastante polêmico de nossos dias. Este assunto não é outro senão a questão da possibilidade de Deus se manifestar e salvar à partir dos ensinos de outras religiões além da própria religião cristã. Para alguns cristãos relativistas isto é possível, para cristãos mais conservadores, como é o meu caso, isto é impossível e até incoerente. Qual então seria a ideia mais coerente? É possível acreditar que Deus se manifesta em todas as religiões? Tentarei demostrar a incoerência dos cristãos que acreditam na possibilidade de que Deus se manisfesta em várias religiões, e também demostrarei a minha posição particular.

O cristão relativista diz: "É incoerente acreditar que somente no cristianismo há salvação, pois existem várias nações com culturas e com religiões diferentes que não conhecem nada sobre o cristianismo. Logo é mais coerente acreditar que Deus se manifesta em todas as religiões que existem".

Resposta: Bom, a primeira questão a ser considerada é que o tal relativista deverá demostrar qual a contradição ou erro em crer que somente através de Cristo há possibilidade de salvação. Ora, qual a contradição ou incoerência nisto? O fato de pessoas não conhecerem a Cristo não prova a incoerência da máxima cristã de que há salvação somente em Cristo. A única coisa que fica comprovada nisto é o que a bíblia já relatara em Romanos 1:18-25:


"Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça.

Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou.

Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;

Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.

Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos.

E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis.

Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si;

Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém."


Está aí a resposta bíblica para os relativistas religiosos. 

O fato de existirem várias religiões só demostra uma única coisa: A DEPRAVAÇÃO E CEGUEIRA HUMANA. Os homens deteram A VERDADE DE DEUS em injustiça. Deus tem apenas uma verdade; isto é ser coerente. Não pode existir mais de uma verdade em Deus; uma contradizendo a outra. Não faz sentido a máxima relativista de que Deus se manifesta em todas as religiões. Por quê? Simples, porque isto faria de Deus um ser contraditório, com vários princípios doutrinários e morais auto-excludentes. Que tipo de deus é esse que se manifesta no budismo afirmando que Cristo "Foi um grande Mestre e passou muitos anos de sua vida em mosteiros  budistas no Tibet e na Índia. (Para os budistas ocidentais, Jesus é um homem iluminado), mas que no cristianismo diz que Jesus é o Verbo que se fez carne e habitou entre nós (Jo 1.1,2,12, 14)? Que tipo de deus contraditório é esse que diz que Cristo, no judaísmo histórico, não é o messias, mas no cristianismo Ele é o Messias? Que tipo de deus contraditório é esse que através do cristianismo diz que a salvação é pela fé em Cristo, enquanto que, através de outras religiões, a salvação é por obras de caridade, e que fora da caridade não há salvação? Que deus contraditório é este que revela, através do islamismo, um Cristo que é apenas um profeta e mensageiro de Deus, enquanto que no cristianismo revela Cristo como o Deus encarnado? Isto sem falar das outras religiões cada uma com seus dogmas e ensinos auto-excludentes. 

Diante destes fatos, penso não fazer muito sentido acreditar em um deus que se revela de uma forma para os cristãos, e contradiz o que revelou para os cristãos quando se relaciona, por exemplo, com os budistas. Desta forma, não se sustenta logicamente a crença de que Deus se manifesta em todas as religiões.

Qual seria então, por exemplo, dessas crença citadas acima, a que faria mais sentido?  Ora, em primeiro lugar penso que se acreditarmos EM CADA PALAVRA ditas pelo próprio Cristo, ficará difícil negarmos sua divindade e outras verdades que são negadas justamente por essas religiões já citadas(Budismo, Islamismo, Espiritismo, Judaísmo). O problema de muitas dessas religiões e de outras, que contemplam Cristo como apenas um "bom mestre da moral ou profeta", é que de forma subjetiva selecionam as passagens bíblicas que são de seus interesses e desconsideram aquelas que claramente atestam a divindade do Cristo e outras verdades relacionadas a Sua pessoa. O que também é muito incoerente, por quê? Porquê estes mesmos religiosos usam a bíblia até onde ela lhes satisfazem.E quando assim o fazem, argumentam que " a bíblia não é infalível e contém muitos erros, sendo assim, não devemos considerar tudo o que Cristo disse". Bom, se é assim, como estes religiosos podem afirmar com convicção que Cristo de fato foi um mestre da moral ou profeta? Se a bíblia contém erros, o que garante que estes erros não se encontram justamente nas passagens que dão a entender que Cristo fora apenas um grande mestre da moral ou profeta? Se a bíblia é um livro cheio de falhas, como posso ser coerente fundamentando minhas proposições em cima deste livro? Daí nota-se como o relativismo e subjetivismo desses religiosos são incoerentes. Eles não podem sustentar de forma coerente  nem o que eles creem, e querem acusar de incoerência os que creem na verdade absoluta da palavra de Deus revelada, isto é, a Escritura Sagrada.

O cristianismo bíblico é coerente porque de fato aceita tudo o que fora revelado a respeito de Cristo, e não apenas aquilo que o convém. Cristo não é apenas um mestre da moral ou profeta; Ele é Deus. Ele é o padrão absoluto de toda a moralidade e doutrina. Deus não tem várias verdades, ELE É A VERDADE ABSOLUTA E INCONTESTÁVEL. O próprio Cristo diz: "EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA, NINGUÉM PODE IR AO PAI, SENÃO POR MIM(Jo 3:16). Ora, dar uma declaração dessa é uma prova incontestável de que Ele não é apenas um mestre da moral; ELE É A VERDADE, ou seja, é o próprio Deus. Só alguém com uma autoridade sobrenatural poderia fazer tal afirmação, do contrário, ou Cristo era louco, ou mentiroso. Se for mentiroso, não pode ser um mestre da moral, pois, que mestre da moral seria ele ao mentir de uma forma tão descarada? Se for louco,  também não seria mestre da moral; seria apenas alguém que não merecia ser levado a sério por conta de sua loucura. 

Alguém poderá dizer " mas e o cristianismo com suas divergências internas? " Bom, de fato existem divergências dentro do cristianismo. Entretanto, estas divergências são em pontos secundários, e não em pontos que comprometam a verdade da escritura. E quando há algo que comprometa a verdade bíblica, tal ensino é considerado herético e anti-bíblico. Ademais, apesar das divergências, não cremos em vários Cristos, em vários deuses(um contradizendo o outro), ou em vários caminhos para a salvação. Por exemplo, a concepção da aplicação da salvação no cristianismo pode variar, mas o Cristo e a salvação são os mesmos. E as diferentes interpretações no cristianismo é demostração apenas da incapacidade humana em compreender totalmente a verdade de Deus revelada na escritura, e não que existam várias verdades. Ou seja, a falha se encontra nestes homens e não na verdade única de Deus. O cristianismo ortodoxo, por exemplo, tem seu credo apostólico como uma confissão que resume a fé autenticamente cristã. Este resumo é crido pelo cristianismo verdadeiro e bíblico.

Desta forma, creio com toda a convicção que Deus se revelou através de seu Filho e de sua palavra escrita, isto é, a escritura(Jo 5:39). E que é mais coerente acreditar que Deus tem apenas UMA VERDADE, mas que os homens, após a queda, buscaram para si outros caminhos mudando assim a verdade eterna e perfeita deste Criador( Rm 1). E que afirmar que Deus se revela em todas as religiões, faz desse deus um ser contraditório. E sendo este deus contraditório, o caminho mais prático seria rejeitá-lo. 


Soli Deo Gloria

Álvaro Rodrigues

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Jesus era a favor do casamento gay?


Atualmente, um dos assuntos mais discutidos, sem dúvida,  é o casamento gay. Tanto na esfera política quanto na religiosa o tema é bastante discutido e estudiosos, conservadores e progressistas, discutem de forma acalorada sobre esta questão. Já demostrei no texto "A ordem natural fundamenta a incoerência do casamento gay"  algumas consequências negativas que a aprovação do casamento gay na esfera civil poderia trazer  para a sociedade. Meu objetivo agora focaliza-se  na questão teológica propriamente dita. Isto devido ao fato de existir pessoas que se auto-denominam cristãs, que buscam legitimar biblicamente o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Este texto será uma breve resposta a esses que se dizem cristãos, não com o objetivo de humilhá-los, mas de demostrar suas incoerências.

Alguns defensores do casamento gay, que se auto-denominam "cristãos", argumentam : " Não existe nenhum verso bíblico que demostre Cristo sendo contrário ao casamento gay. Somente Moisés, os profetas e os Apóstolos eram contrários a isto"


Resposta: À Princípio é bom que se saiba que esta tentativa de dissociar os ensinos de Moisés, Cristo, os profetas e os apóstolos, não significa outra coisa senão descredibilizar a crença histórica do Cristianismo ortodoxo de que a escritura é a inerrante palavra de Deus. Entretanto, estes pseudo-cristãos, tentando achar contradição entre os ensinos de Cristo e dos demais personagens bíblicos, acabam eles mesmos caindo em sua própria armadilha, pois, se a bíblia é contraditória, e não é inerrante, o que garante a eles(defensores do casamento gay) que Cristo seja contrário ao casamento gay ou não? Ora, se o livro em que eles buscam fundamentar a ideia de que "Cristo não era contra o casamento gay" é recheado de erros, como estes defensores do casamento gay podem garantir que Cristo era a favor do casamento gay"? Como eles podem ter certeza disto? Como eles podem fundamentar uma convicção baseando-se em algo que, para eles próprios, não é inerrante mas que contém erros e incoerências? O que garante que a visão deles não esteja errada também?

O segundo ponto é que, mesmo Cristo não falando diretamente sobre casamento gay, ele foi claro em definir o que era, em sua concepção, o casamento legítimo quando disse:


Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea.

Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher,

E serão os dois uma só carne; e assim já não serão dois, mas uma só carne.

Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.(Marcos 10:6-9)

Primeiramente fica claro que, para Cristo, o casamento está fundamentado na ordem natural da criação que é universal. E a ordem natural da criação estabelece a realidade da existência de apenas dois sexos; o que passar disto é anti-natural. De forma que Cristo, quando falou isto, se baseava  na ordem da criação estabelecida por Deus, por meio dele mesmo( Cl 1:16), e os apóstolos também fundamentavam sua posição tanto neste princípio natural  estabelecido pelo criador, quanto pela confirmação do próprio Cristo à este princípio natural.

Uma outra questão é que este princípio ou ordem natural faz com que a prática homossexual continue sendo um pecado aos olhos de Deus. Por quê? Porque esta ordem natural(dois sexos/macho e fêmea) estabelecida por Deus, É UNIVERSAL, e não apenas local e restrita aos tempos bíblicos. A prática homossexual é uma quebra daquilo que fora estabelecido naturalmente por Deus : "Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea.  Claro, não estamos querendo classificar a homossexualidade como o maior dos pecados; apenas colocamos esta prática como UM dos pecados resultantes da queda. A queda de Adão afetou o homem em todos os aspectos possíveis. Afetou seu intelecto, vontade, comunhão espiritual com Deus, sua condição física etc(Rm 3).

Muitos defensores da homossexualidade argumentam que o fato de terem tendências homossexuais,  isto por si deveria servir como fundamento para a legitimação da prática homossexual. Ora, se for assim então por que também não legitimarmos as tendências de certos indivíduos referente ao adultério? Sabemos que existem muitas pessoas com tendências à infidelidade, à prostituição, e tantas outras práticas. O que define a legitimidade de uma prática não é a tendência particular de certas pessoas, mas sim se tal tendência é  natural e assim legitimada por Deus. Se a tendência fosse fundamento para legitimar uma prática, a sociedade se auto-destruiria, visto que muitas tendências contrariam a ordem natural das coisas que por Deus foram estabelecidas. Desta forma, a tentativa de certas pessoas em buscar sustentar suas tendências homossexuais baseando-se na escritura, não se sustenta.

Assim sendo, podemos concluir que Deus estabeleceu uma ordem natural, leis e princípios pelos quais a humanidade deve basear-se. E que Cristo em momento algum anulou o que Deus estabeleceu, muito pelo contrário, Ele confirmou e defendeu. E que não há contradição nenhuma entre o que Cristo, Moisés, os profetas e Apóstolos ensinaram. De forma que a palavra de Deus permanece viva e infalível para todo o sempre.

Sola Scriptura

Álvaro Rodrigues


segunda-feira, 4 de maio de 2015

A bíblia apresenta um Deus de Amor, Justo e Bom, mas que mata e destrói certos pecadores. Isto prova a falibilidade das Escrituras?


Hoje é assim: É só você defender a infalibilidade das escrituras, que isto, na mente de muitos racionalistas baratos, te faz um ser retrógrado, que não pensa, ou que não tem autonomia. Claro, a revolta do homem natural contra às coisas de Deus não é algo recente. No decorrer da história, homens se esforçaram em tentativas que objetivavam a anulação da ideia de Deus, da bíblia e da religião. Hoje em dia essas  tentativas continuam. Os cristãos são desafiados todos os dias a testarem sua fé, e se não estiverem preparados, serão facilmente sucumbidos pelos encantos do relativismo pós-moderno.

Mas enfim, vamos ao que interessa. Não pretendo tratar aqui de tudo o que é de argumentação contrária à infalibilidade da escritura. Meu objetivo é apenas o de responder a pergunta que é o título do texto.

A bíblia nos faz conhecer um Deus de amor, longânimo e misericordioso(Sl 86:15, 103:8, 145:8). Isto é algo revelado em toda a escritura, tanto na Nova, como na antiga aliança. Entretanto, principalmente no Antigo Testamento, vemos um Deus que pune, destrói nações, e que condena à morte certos pecadores(Nm 21: 3, Dt 20:17, 1 Sm 15:3). Como conciliar essa questão? Há contradição no fato de Deus ser amorosos e bondoso e ainda assim destruir nações tidas por "inocentes"? A bíblia apresenta um Deus contraditório ou de dupla personalidade? A bíblia contém erros?

Os críticos da bíblia argumentam: "Deus, no AT, condenava à morte os homens, destruía povos inocentes, punia os pecadores com a morte, desta forma Ele não é Justo, Santo e Bom como diz a bíblia. Mas se ele é Santo, Justo e Bom, Ele não poderia matar, destruir nações e os pecadores, do contrário, a bíblia estaria entrando em contradição".

Resposta: A primeira questão a ser analisada aqui é a seguinte: Onde está escrito na bíblia que a bondade, a justiça e a santidade de Deus são definidas de uma forma em que Ele jamais possa destruir os pecadores? A bíblia, por algum acaso, diz que é errado Deus punir os pecadores com a morte? A bíblia, por algum acaso diz que, por Deus ser amor, Ele não pode destruir, matar e ferir? Não, ela nunca diz isto! Então como alguém pode dizer que a bíblia contém erros? Ora, a critica de contradição faria sentido se: 1- a bíblia tivesse dito em algum verso específico que, por Deus ser amor, Ele JAMAIS destruiria o pecador quando, em outros versos,  é revelado  Deus fazendo justamento o contrário. 2- ou que o amor de Deus é definido de uma forma que anula a sua ira contra os pecadores. MAS A BÍBLIA NÃO DIZ OU DEFINE O AMOR DE DEUS DESSA FORMA, e se não diz ou define dessa forma, qual então é a contradição? É o crítico da bíblia que quer achar contradição onde não existe. Logo, o erro é do crítico da escritura quando a usa para tentar achar contradição entre o amor e a ira divina contra o pecado.

Em segunda lugar, sim, a bíblia diz que Deus é bom, mas não diz que a bondade Dele afasta a sua ira contra o pecado. Ademais, a bondade divina é definida por um outro atributo divino, isto é, a soberania de Deus. Na bíblia Deus é apresentado tendo misericórdia de quem Ele quer( Rm 9:15) Essa é a definição de bondade divina, isto é, bondade soberana. Deus é bom, Deus é amoroso, Deus é longânimo, mas somente com quem Ele deseja ser. Como também, a justiça divina não deve ser medida pelas nossas réguas humanas. Deus é justo por definição. Quando Ele mata, é justo; quando Ele fere, é justo; quando Ele empobrece um homem, é justo; quando enriquece, é justo. Ele é Deus, tudo é Dele, e Ele não nos deve nada. Deus não tem obrigação moral nenhuma em ter misericórdia de quem quer que seja. A graça de Deus é um favor imerecido, e não um favor que merecíamos; não merecemos benevolência nenhuma. Então, quando reclamarmos de Deus, questionemos  primeiramente o motivo Dele, até hoje, não nos ter destruído.

Alguns dirão que este tipo de pensamento faz de Deus um Ser que age de forma parcial. Ora, isto não faz o menor sentido. Não existe parcialidade em um Deus que não nos deve nada. Não temos direito nenhum diante de Deus. Parcialidade é privar certas pessoas dos seus direitos. Como ninguém tem direito nenhum diante de Deus, disto concluímos que Deus não é parcial.

A definição bíblica de misericórdia divina se encontra associada à justiça de Deus. Deus é Santo, e por ser Santo, a sua justiça exige a punição do pecador que não se arrepende(Ap 2:5,16, Hb 9:26). Creio com toda a convicção de que a misericórdia divina para com a humanidade é exercida até mesmo no ato de justiça divina. As pessoas pensam que Deus seria bom e misericordioso somente se deixasse os homens seguir os seus próprios extintos. Ora, isto é um erro! É justamente o contrário, Ele seria menos misericordioso se fizesse tal coisa. O homem é depravado por natureza(Rm 3:23); se Deus não julgasse a vida de devassidão dos homens, o mundo estaria pior do que este no qual estamos vivendo. Se não houvessem leis, princípios morais e valores absolutos estabelecidos pelo próprio Deus, estaríamos totalmente destruídos. Uma sociedade sem limites se auto-destrói. De forma que: quando Deus pune alguém que fere suas leis, isto por definição, significa exercer misericórdia na justiça. Misericórdia, pois põe freio na maldade humana, que só tende a aumentar.

Diante de tudo o que foi escrito, podemos concluir dizendo que a tentativa inútil de encontrar contradição entre o amor divino e a ira de Deus contra o pecado seria a mesma coisa que dar murro em ponta de faca. A bíblia é a inerrante palavra de Deus, ela é totalmente confiável, é por meio dela que conhecemos a vontade de Deus.

Soli Deo Gloria

Álvaro Rodrigues

quarta-feira, 15 de abril de 2015

O arminianismo e a salvação por graça e obras


Não é de hoje que os arminianos, buscando se esquivar das consequências negativas de sua soteriologia, reivindicam aos brados que sua teologia jamais ensinou  salvação por graça e também por obras. Esses arminianos argumentam que "  a salvação na soteriologia arminiana decorre, como ponto de partida, da ação da graça de Deus que capacita os homens para que estes se tornem aptos a responder positivamente a ordem do evangelho no que tange ao arrependimento". E acrescentam que  "é falso afirmar que a fé(não-resistir a graça), seja uma obra para salvação. Considerando tais argumentos, buscaremos respondê-los  demostrando que, de acordo com a escritura, a fé ou a não-resistência não são obras PARA a salvação, mas que ao mesmo tempo, tais ações são boas por definição, e que estas boas ações, no arminianismo, tornam-se a causa da eleição e salvação, e não a consequência.

É necessário primeiramente enfatizar a verdade de que a fé é um dom de Deus(Ef 2:8). Colocar a confiança em Cristo é uma capacidade dada por Deus, visto que o homem natural não pode exercer nenhuma boa ação para a salvação sem que antes o próprio Deus o capacite para tal. Esta verdade é crida não somente por calvinistas, mas é também aceita e defendida por arminianos. O que vai diferenciar os primeiros destes últimos é que, enquanto os primeiros(calvinistas) defendem que a aplicação da graça é irresistível naqueles que foram eleitos por Deus, estes últimos(arminianos) irão defender uma graça preveniente que pode ser resistida por todos. Já demostramos a incoerência da graça preveniente arminiana no texto "A incoerência da graça preveniente e da regeneração parcial no arminianismo " . E já fizemos uma breve defesa  da graça irresistível  e sua aplicação no ato salvífico no texto " Respostas à algumas objeções contrárias à doutrina da graça irresistível". 

Dirá o arminiano : " o ato de não resistir à graça não é uma obra para a salvação"

Resposta : A primeira coisa que devemos entender é que a ação de "não resistir a graça" é, por definição, uma boa obra, então quando se crê que somos salvos pelo fato de "não termos resistido" estamos colocando a causa de nossa salvação a essa boa ação que é "não resistir a graça". Desta forma , a salvação na cosmovisão arminiana é por graça e por boa obra, pois o não resistir é uma boa obra, e não uma má obra.  É no calvinismo que de fato a fé bíblica e a ação de não resistir não são obras  PARA alcançar a salvação. No arminianismo, a não-resistência e a fé tornam-se boas ações PARA se obter a salvação, e não boas ações como EFEITOS da eleição para a salvação. Ademais, a salvação no arminianismo sendo uma ação a priori de Deus, não muda o fato de que ainda assim a efetivação dela dependa totalmente da decisão do homem. Neste sentido, podemos entender que Deus precisa da ajuda do homem para que a salvação se torne efetiva. 

No calvinismo é diferente, a "não resistência" é consequência da eleição. Logo, quaisquer atitudes do homem(capacitado pela graça)  tais como fé, arrependimento, e não-resistência, não são tidas como as CAUSAS da salvação. A CAUSA única seria a SOBERANIA DE DEUS quando elegeu certos homens para a fé, a não-resistência e o arrependimento. De forma que, no calvinismo, a causa da salvação não é a boa ação da não-resistência, mas sim A ETERNA DECISÃO DE DEUS  de eleger para a boa ação da não-resistência. Como também, as ações de não-resistir, o arrependimento e a fé,  distinguem eleitos de não-eleitos. Estas ações demostram a eleição, o que é diferente de dizer que são CAUSAS DA ELEIÇÃO E SALVAÇÃO . Logo, não há salvação por boas ações no calvinismo. Já no arminianismo, essas boas ações CAUSAM A ELEIÇÃO de forma que a salvação é alcançada  por graça e boas ações.

Dirá o arminiano: " mas a fé nunca é vista na escritura como uma obra, mas sempre em oposição às obras".

Resposta: Claro, mas ela é sempre posta em oposição às boas obras  que eram tidas por alguns(em especial judeus) da igreja primitiva como as CAUSAS da salvação. Estas obras seriam o que o Apóstolo Paulo denomina de " obras da Lei"( Gl 3:10). Era da preocupação dos Apóstolos, em especial do Apóstolo Paulo, demostrar que a salvação não era confirmada pelo guardar da Lei, mas sim pela fé como dom e fruto da eleição(At 13:48, Ef 2:8). Entretanto, a fé salvífica é, por definição, uma boa ação que  leva inevitavelmente a outras BOAS ações as quais Deus também preparou para que, desde a fundação do mundo, andássemos nelas(Ef  2:10). Como já frisado aqui e em outros textos nossos,  é preciso notar que tais boas ações são resultados da ação prévia de Deus, o que se conhece por eleição. De forma que os arminianos jamais poderão acusar a soteriologia calvinista de defender  salvação por boa obra, visto que essas boas ações, na soteriologia calvinista, não são CAUSAS, mas efeitos da eleição .


O arminiano ainda poderá dizer : " Na teologia de Armínio, a graça preveniente é a causa última da resposta positiva ao evangelho". 

Resposta: Não. A causa última se encontra na volição positiva deste homem como resposta à ação capacitadora da graça preveniente. O papel da graça no arminianismo é capacitador. A graça preveniente é derramada sobre todos os homens para que estes se tornem capazes de crer em Cristo. Mas, a causa final da salvação se encontra na resposta destes homens, isto é, na não-resistência(obediência) ao evangelho. Na visão arminiana o homem é senhor de seu destino e eleição. Nesta visão, Deus não pode ser o Senhor da história, pois é apenas um sujeito que atua preso às decisões destes homens. Que tipo de Senhor da história é este que se encontra preso àquilo que os homens decidem?  Que tipo de soberania é esta que encontra-se algemada ao querer humano? E não adianta usar o argumento de que Deus limitou a sua soberania, pois não há nenhuma passagem bíblica que confirme isto; muito pelo contrário, existem várias passagens bíblicas que confirmam o governo soberano de Deus sobre todas as coisas(Is 46:10, Sl 115:3, Dn 4:35, Pv 21:1, 16:33 etc)


Conclusão

Desta maneira entendemos que :  em um sentido a fé não é obra, mas em outro sentido ela é sim uma obra. Ela é uma boa obra no sentido de que não é uma má ação crer que Cristo é o Salvador;  porém não é uma boa obra no sentido de ser uma  ação  humana e CAUSATIVA da salvação, mas sim uma boa atitude como um dom dado por Deus aos seus eleitos(Ef 2:8, At 13:48). Entendemos também que: sendo a ação de "não resistir a graça", por definição, uma boa obra, e ainda assim crermos que somos salvos pelo fato de "não termos resistido", estamos, desta forma, colocando a causa de nossa salvação a essa boa obra que é "não resistir a graça". De forma que, diante de tudo o que foi esclarecido, podemos logicamente concluir que a salvação na cosmovisão arminiana é POR GRAÇA E POR BOA OBRA.

Soli Deo Gloria

Álvaro Rodrigues



domingo, 1 de março de 2015

A ordem natural fundamenta a incoerência do casamento gay



Quando exponho minha opinião contrária ao casamento homossexual, sou chamado de retrógrado, fundamentalista, preconceituoso etc. Ora,essas pessoas que me acusam com tais adjetivos deveriam usar um pouco da razão e da lógica que elas tanto veneram na atualidade quando ousarem discutir sobre o casamento gay. 


Os que argumentam  à favor da união civil gay dizem:" não existe moral absoluta, e se não existe moral absoluta nenhuma moral deveria ser imposta, logo, o casamento gay deveria ser aceito de forma igualitária como algo legítimo e natural". 

Resposta
: Por essa lógica, já que não há moral e valores absolutos, por que também não se libera casamentos entre mais de duas, três, ou quatro pessoas? Por que também não liberar o casamento de um homem com várias mulheres, ou de uma mulher com vários homens? Por que não liberar o casamento de um pai com  a sua própria filha, ou da mãe com seu o próprio filho? Ora, tudo não é relativo e os valores são construções dos homens de forma que cada um tem a sua própria concepção de casamento? Se os valores são relativos não há nada de errado e anti-natural em apoiar tais uniões. Além do mais, defender o casamento igualitário significa dizer que todos estes tipos de uniões devem receber o mesmo tratamento de consideração, apoio e apreço que o casamento gay tem recebido, pois do contrário, não é igualitário, mas sim privilegiado. Alguém poderá argumentar: "mas é o casamento heterossexual que tem recebido um tratamento privilegiado". Ora, o casamento NATURAL é heterossexual,de forma que ele não é privilegiado, mas sim o ÚNICO casamento logicamente e naturalmente legítimo. Todos estes tipos de "casamentos" acima citados, são anti-naturais, portanto, incoerentes. 

A verdade é que apoiar o casamento gay é ser à favor da contradição. É colocar as emoções acima da razão. Não estou aqui querendo reprimir a liberdade dos gays de viverem como gays. A questão não é essa! A discussão aqui é  sobre a legitimidade ou não do casamento homossexual. E o casamento gay é contrário a ordem natural das coisas visto o fato de que só há dois sexos(macho e fêmea). Portanto, baseado nessa ordem natural, somente a união civil heterossexual é legítima e natural. De forma que o casamento natural deve ser entre duas pessoas, isto é, macho e fêmea, levando em conta o fato da existência de apenas dois sexos. Logo, o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo  é anti-natural, ou seja, não faz parte da ordem natural da humanidade.


Como também, se nenhuma moral deveria ser imposta, como dizem certos defensores do casamento gay, ou certos relativistas, então retiremos do estado as leis, pois estas, por definição, são valores impostos à sociedade. As leis, por natureza, definem o que é certo e o que é errado de forma impositiva. Em nosso país matar é crime, logo quem mata será de forma impositiva acusado de "assassino e imoral". Ou seja, a lei, de forma impositiva, diz que alguém é um assassino quando mata. Então, valores são colocados  na sociedade, portanto a imposição de valores é algo comum e até natural.


Mas o que é  mais interessante é que quando estamos conversando com certos relativistas eles se dizem contrários à liberação do casamento de um homem com várias mulheres, ou de uma mulher com vários homens; se dizem contrários ao casamento de pais com filhos;  ao casamento de crianças com adultos; contrários ao casamentos entre mais de duas pessoas, etc. Pois é, cadê o casamento igualitário agora?

Desta forma, querer  relativizar o casamento e não reconhecer que o casamento está baseado na ordem natural da humanidade, seria abrir as portas para legalizar qualquer outro tipo de casamento, seja o casamento entre três ou mais pessoas, casamento gay, casamento incestuoso, casamento de criança com adulto etc. Mude a ordem natural do casamento  e você mudará também a sua estrutura; o que, por consequência, desmantelaria toda a estrutura familiar, moral e ética.


Soli Deo Gloria

Álvaro Rodrigues